Uma outra voz, desesperada, a de Gagula, rugia sinistramente:
--Larga-me, rapariga, larga-me!
--Acudam! Acudam! Ai Gagula que me matou!
Como contar o brusco, pavoroso lance? Corremos. Á luz frouxa da lampada vimos a porta de pedra descendo, e junto d’ella Gagula e Fulata enlaçadas n’uma lucta furiosa. De repente Fulata cae, coberta de sangue. Gagula atira-se ao chão, para fugir como uma cobra através da fenda que havia ainda entre o chão e a porta. Mette a cabeça e os hombros!... Justos céos! Era tarde. A pedra immensa apanha-a, e a creatura uiva de agonia! A pedra desce, desce, com as suas trinta toneladas sobre o corpo já preso. Vem d’elle gritos e gritos, como eu jámais ouvira--até que ha um som horrivel de coisa esborrachada, e a porta immensa fica immovel, fechada, justamente quando nós, correndo sempre, esbarramos de roldão contra ella!
Isto durára quatro segundos--quatro seculos. Voltamos então para Fulata. A pobre rapariga tinha uma grande facada e estava a morrer.
--Ah Boguan! (era assim que os Kakuanas chamavam a John). Ah Boguan! exclamou, suffocada, a bella creatura. Gagula sahiu fóra. Eu não a vi, estava meia desmaiada. Então a porta começou a descer... Ella ainda entrou, foi olhar para vós... Depois tornava a sahir, quando eu a agarrei, e ella me deu uma facada, e agora morro!
--Pobre rapariga! Minha pobre rapariga! Gritava John.
E como não podia fazer outra coisa, começou a dar-lhe beijos, longos beijos.
Ella sorria, arfando, com as palpebras cerradas. Depois:
--Macumazan, estás ahi?... Ja mal vejo... Estás ahi?...