Accendi o phosphoro. E, louvado Deus! Vimos diante de nós os primeiros degraus d’uma escada de pedra!
--E agora? Perguntou John.
--Descer! E confiar em Deus!
--Esperai! Gritou o barão. Quartelmar, veja se apalpa e acha o resto da comida e da agua. Quem sabe onde iremos parar?
Achei logo as provisões, que estavam junto da arca de pedra, cheia de diamantes. E já enfiára o cesto no braço, quando pensei nos diamantes... Porque não? Quem sabe? Talvez por mercê divina, achassemos uma sahida! Não fazia mal nenhum, á cautela, metter um punhado de diamantes na algibeira!... Se chegassemos a sahir d’aquella horrivel cova, não teriam sido ao menos inuteis todas as nossas angustias. Um punhado de diamantes nada pesava! E ao acaso, mergulhei a mão na arca e comecei a encher todos os bolsos da minha rabona. Depois atulhei as algibeiras das pantalonas. Já abalava, quando voltei ainda, com uma idéa, á arca onde estavam as pedras mais graúdas. E encafuei uma enorme mão cheia d’elles para dentro da algibeira do peito. O contacto vivo d’aquellas riquezas fez-me pensar nos outros.
--Oh rapazes! Não quereis levar uns poucos de diamantes? Eu enchi as algibeiras.
--Diabos levem os diamantes, disse do canto o barão, impaciente. Até me faz nauseas a idéa de diamantes! É marchar, é marchar!
Emquanto ao amigo John, esse nem respondeu. Creio que estava de joelhos, junto do corpo de Fulata, dando o ultimo adeus áquella que por elle morrera!
Quando nos achamos juntos do alçapão, já o barão descera o primeiro degrau.
--Eu vou adiante, segui devagar.