De repente um baque n’agua, um grito de John! Tinha cahido.
--John! John! Onde estás? Berrámos, perdidos de terror. Falla! Falla!
Que allivio, quando a voz d’elle nos veio de longe, suffocada.
--Salvo. Agarrei-me a uma pedra! Accendei um phosphoro para eu vêr onde estaes!
Raspei o meu ultimo phosphoro. Á sua luz tremula vimos aos nossos pés uma immensa massa d’agua, correndo com grande força. Que largura tinha não percebemos... Mas a distancia distinguimos a fórma vaga do nosso companheiro, pendurado d’um penedo agudo.
--Preparai para me agarrar, gritou elle de lá. Vou nadar para ahi!
Outro baque, uma grande lucta de braços batendo a agua. Depois junto de nós um resfolegar ancioso. E por fim uma exclamação do barão, que agarrára o nosso amigo pelas mãos, o puxára para dentro do tunnel, a escorrer.
--Irra! Balbuciava John, offegando. Estive por um fio. É uma corrente furiosa e parece-me que não tem fundo.
Evidentemente, d’este lado nada conseguiamos. De sorte que, depois de John descançar, de bebermos á farta d’aquella agua que era deliciosa, e de lavarmos a cara, deixámos as margens d’aquelle tenebroso rio, e retrocedemos ao comprido do tunnel, com John adiante, tiritando e pingando. Depois de andarmos um quarto de hora--chegámos a outro tunnel, que se inclinava para a direita e parecia mais largo.
--Seguimos este, disse o barão inteiramente desalentado. Todos elles são iguaes. O melhor é andarmos, andarmos, até cahir ahi para um canto, sem poder mais, á espera da morte.