--O amigo Quartelmar tem razão, affirmou o barão. E dá graças a Deus que já estavas de botas, e que a temperatura é tão dôce.

John teve um suspiro de furiosa resignação. E, durante a nossa estada na terra dos Kakuanas, foi assim que John se mostrou sempre e praticou notaveis feitos--de botas, de pernas núas, com uma metade da cara rapada, outra coberta de barba, e a fralda voando ao vento!

CAPITULO VI

PENETRAMOS NO REINO DOS KAKUANAS

Toda essa tarde trilhamos a larga, magnifica estrada que seguia infindavelmente para o lado de noroeste. Alguns dos negros marchavam adiante (uns cem passos) como vedetas. Outros seguiam levando as nossas bagagens. Nós iamos no meio, entre Infandós e Scragga.

Pouco a pouco, Infandós e eu descahimos n’uma palestra familiar e amigavel. O velho era esperto e loquaz.

--Quem fez esta estrada, Infandós?

--Foi feita ha muito tempo, meu senhor. Ninguem sabe quando; nem mesmo uma mulher que tudo sabe, Gagula, que tem vivido através de gerações... Já ninguem póde fazer estradas assim... Mas o rei não consente que se desmanche, nem que lhe cresça a herva por cima.

--E ha quanto tempo vivem aqui os Kakuanas, Infandós?

--A nossa gente, meu senhor, veio para aqui de grandes terras que estão para além (indicava o Norte) ha mais de dez mil milhares de luas. Para baixo não puderam seguir, segundo diziam nossos avós, que o disseram a nossos paes, e segundo conta Gagula, a mulher que tudo sabe. Não puderam por causa das altas montanhas que estão em redor, e do deserto onde tudo morre. De modo que, como a terra era fertil, aqui assentaram; e tantos e tão fortes se tornaram que agora, quando Tuala, nosso rei, chama os seus regimentos, o chão treme todo com o seu peso, e até onde a vista alcança só se vêem plumas de guerreiros e lanças.