--Vimos do mundo das estrellas, oh rei! Não indagues como, nem para quê. São coisas muito altas para ti, Tuala.

O rei franziu a face, d’um modo inquietador:

--Altas me parecem as vossas palavras, gentes das estrellas!... Não esqueçaes que as estrellas estão longe e a minha vontade está perto... Póde bem ser que saiaes d’aqui como aquelle que agora levaram.

Era necessario ostentar um soberbo desdem da ameaça. Comecei por lançar uma risada, muito cantada (e na verdade muito forçada):

--Oh rei, tem cautela! Não caminhes sobre brazas que pódes escaldar os pés! Toca n’um só dos nossos cabellos e a tua destruição está certa. Não te disseram estes (e apontei para Infandós e para Scragga), que especie de homens nós somos, e que grandes artes temos? Viste tu alguem como nós, entre os filhos dos homens?

--Nunca vi, murmurou elle.

--Não te contaram esses como nós damos a morte de longe, através d’um trovão?

--Não creio! Exclamou Tuala, batendo fortemente o joelho. Mostrai-me primeiro, vós mesmos, a vossa arte. Matai um d’esses homens que estão além (apontava uma companhia de soldados magnificos junto á porta da aringa) e eu prometto acreditar!

Repliquei que não derramavamos nunca sangue de homem, senão em justo castigo. Mas que o rei soltasse um boi para dentro do pateo, através dos soldados, e antes d’elle correr vinte passos, cahiria morto, de chofre. O rei rompeu a rir.

--Um boi! Um boi!... Não, matai um homem para eu acreditar!