--E quem te diz a ti que Ignosi morreu?
Todos nos voltamos, espantados. Era Umbopa.
--Que queres tu dizer? Que tens tu a fallar, rapaz? Gritou Infandós que, como velho chefe de sangue real, detestava familiaridades.
Umbopa deu para nós um passo lento:
--Escuta, Infandós. Não é verdade que o rei Imotú foi morto, e que a mulher e o filho desappareceram? Não é verdade que correu então voz de ambos se terem perdido e morrido nas montanhas?
Com um gesto, Infandós concordou.
--Escuta! Nem a mãe nem o filho morreram. Galgaram as montanhas, atravessaram as grandes areias guiados por uma turba errante, entraram de novo em terras de relva e agua, viajaram durante muitas luas, e foram ter a um povo dos Amazulus que é da raça dos Kakuanas. Escuta ainda! O filho cresceu, a mãe morreu. O filho cresceu, e serviu nas guerras dos Amazulus. Depois foi ao paiz dos brancos e aprendeu as artes dos brancos: trabalhou com as suas mãos, meditou dentro do seu coração: e sabendo que homens fortes vinham para o norte, tomou serviço com elles, atravessou outra vez as grandes areias, galgou de novo as serras de neve, pisou terra dos Kakuanas--e está na tua presença, Infandós!
E subitamente, arrancando a tanga que o cobria, ficou nú diante de nós, com os braços abertos, gritando:
--Sou Ignosi, legitimo rei dos Kakuanas!
Infandós precipitára-se sobre elle, com os olhos fóra das orbitas, a examinar-lhe o ventre onde corria, n’uma tatuagem azul, o desenho d’uma cobra que lhe dava volta á cinta e juntava a bôca com o rabo logo abaixo do umbigo. Esta tatuagem é a marca, o emblema real, que se grava a tinta azul, logo ao nascer, no legitimo herdeiro do reino. E a evidencia lá estava, certamente irrecusavel, porque Infandós cahiu sobre os joelhos, bradando: