Nas proprias faces dos guardas e dos chefes perfilados junto a Tuala se espalhava um ar de piedade. Muitas raparigas soluçavam baixo. E subitamente, o capitão John, sem se poder conter mais, arrancou o rewolver da cinta e fez um movimento tão saliente, de tão clara intervenção--que a rapariga viu, n’um relance comprehendeu... Desprendendo-se dos guardas, que a seguravam frouxamente, veio arrojar-se aos pés de John, abraçando-lhe as pernas núas:

--Oh pae branco, que vens das estrellas! Gritava ella. Deixa acolher-me á sombra da tua força... Salva-me d’estes homens, e de Gagula, a mãe que é tão cruel...

Tornei a olhar para o sol... E com um allivio, uma alegria tão intensa que ainda hoje o recordal-a me aquece o coração, vi uma linha de sombra, muito fina ainda, surgindo á orla do disco radiante!

--O eclipse! Gritei eu para os outros. John, conserve ahi a rapariga atraz! E armas na mão, rapazes!

Immediatamente, avancei para o rei:

--Tuala, exclamei com firmeza e arrogancia. Nós, gentes das estrellas, não podemos consentir n’esta maldade! Tal não será! Deixa que a rapariga volte para a sua morada!

Tuala ergueu-se com um pulo brusco de surpreza e de colera. E dos chefes, das agitadas filas de mulheres, subiu um murmurio que era de assombro, e talvez de esperança.

--Não consentis! Bramiu o rei, com o olho sangrento dardejando lume. E quem és tu, perro branco, para vir latir contra o leão na sua caverna? Tal não será! E como o podes tu impedir? Vai talvez a tua vontade prevalecer contra a minha força? Scragga, mata a creatura! E vós guardas, olá, agarrai esses homens!

Uma multidão de soldados surgiu, correndo, detraz da aringa real. O barão, Umbopa e o capitão (com Fulata agarrada a elle) vieram pôr-se ao meu lado de carabinas apontadas.

Outro olhar meu ao sol! A linha de sombra, lenta e gradualmente, avançava sobre o globo rutilante. Com esplendida confiança, ergui a mão, bradei: