—Uma estafa, hein, Anselmo?

—Uma estafa, meu tio!

—É sempre assim. E a um caixeiro que passava com uma bandeja de sorvetes:

—Ó Barros...

—Volto já, senhor commendador. Volto já. Foi-se, equilibrando os copos e meu tio, descançando o chapéu numa vara de metal que corria ao longo do espelho, bufou esbaforido:

—Está quente!...

—Um forno!

—Amigo commendador, disseram, e eu, pelo espelho, avistei um rapagão de fartos bigodes loiros, pince-nez, sobrecasaca e calça clara, que arriava a cartola cumprimentando meu tio. Falava a umas senhoras dando palmadinhas de carinho nas bochechas de um pimpolho, que amuava ao collo de uma negra retinta, com uma touca de seda, donde pendiam até os pés duas largas fitas cinzentas. Meu tio correspondeu com affabilidade offerecendo-lhe a mesa, onde, até então, sómente havia as nossas bengalas cruzadas. Elle espalmou a mão—que esperasse.

—Quem é, meu tio?

—O Dr. Gomes de Almeida, advogado. Moço de talento e rico.