—É bello! E dá-se commigo um caso estranho—sinto, de vez em quando, a necessidade da altura, tenho a mania satanica de contemplar da montanha as coisas inferiores. Já experimentou a delicia vaidosa de ver toda uma cidade a seus pés em nivel humilde? É delicioso, meu amigo. Demais, recebe-se o ar em primeira mão, fresco e puro, sem os toxicos da vida rasteira e certos de que a golfada que respiramos não andou pelas cavernas de pulmões enfermos.

—Aceito com prazer, doutor...

—Queres ser do bando, Marion?

—Não é possivel, disse com lentidão mademoiselle trincando os labios.

O doutor encarou-a e por fim sacudiu a cabeça resignado:

—Pois iremos nós...

Calquei o pésinho para ver se por meio delle conseguia vencer a caprichosa, mas com surpreza senti que me fugia esquivo. Insisti amoravel:

—Então porque não vem comnosco, mademoiselle?

Pas possible... disse com um momo abrindo e fechando com estardalhaço o leque. E pondo-se de pé, num impeto:

Eh! bien... j’m’en vais...