—Adeus! E a velhota partiu compondo o chale. Sahimos. Á porta havia um homem de gorro, que nos offereceu um carro.
—Sim, vamos, disse eu.
—Oh! não vale a pena. Tomar um carro para ir ao Bragança! Não, vamos andando. E já intima, maliciosa, apertando-me o braço: É preguiçoso assim?...
—Não, gosto de andar, faço leguas a pé, mas... E não me atrevi a dizer-lhe a verdade: eu não sabia onde era o Bragança. Felizmente, porém, o doutor surgiu a uma porta.
—Oh! pois ainda vêm ahi...? E adiantando-se: Os corações já se fizeram amigos? E ella, repousando no meu braço, com um languido olhar e um doce sorriso: Creio que sim.
—Creio que sim, corroborei sorrindo.
Mas o doutor deteve-se para dizer em tom sentencioso:
—Devo observar aos meus amigos que o amor é um sentimento digno, que deve ser cultivado como uma flor preciosa, mas acima do amor ha alguma coisa que é preciso não esquecer...
—Deus! disse ella com beatitude.
—Não, filha: o estomago. Temos um gabinete no Bragança á nossa espera. Depois do champagne gelado os beijos têm mais calor. É a reacção. Cá por mim, como pretendo passar a noite como Santo Antão, comerei alguma coisa solida...