Subito, ergueu-se com um grito d'alma, [{63}] poz-se a rasgar a tunica na pressa sofrega de amamentar o filho.

Os peitos saltaram tumidos. O pequeno abocou avidamente e a mãi, sentindo-o sugar, contente e com lagrimas, ajoelhou-se e, d'olhos no ceu, ficou como petrificada.

Maria chorava por vêl-a chorar venturosa e, como as suas lagrimas cahissem na terra, a pequenita não teve mãos para colher as flores que nasciam, brotando como acima d'agua borbulham, ás mil, as bolhas de ar. [{64}]

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Caminhando

Maria caminhava em silencio, pensando naquella mãi que, repentinamente, passára da maior desventura á maior felicidade pelo prestigio das lagrimas misericordiosas.

—O pequenito dormia e a pobre mãi tinha-o por morto. Foi bastante que eu lhe tocasse para que logo abrisse os olhos.

—É que o despertaste, disse o patriarcha sem alludir ao prodigio que testemunhara. [{66}]

Elle ia notando, com discreta reserva, todas as maravilhas que se realisavam á passagem da Virgem: ribeiros que sustavam o curso offerecendo o leito enxuto para a travessia; arvores que se cobriam de flores, carregavam-se de frutos vergando generosamente os galhos; vozes que murmuravam; veios limpidos que rebentavam das pedras e, durante os curtos somnos da donzella, não lhe passavam despercebidos anjos que rondavam em torno dos bosques pisando, de leve, os caminhos avelludados.