O que eu dizia na terra anjos repetiam nos ares. Os espiritos celestiaes fizeram-se meus echos e ainda clamam batendo as azas, tangendo lyras que sôam docemente.

Não havia uma estrella e todas agora reluzem; astros nunca vistos brilham no fundo ceu.

Não havia folha em ramo e as arvores [{143}] estão todas cobertas e cantam festivamente passarinhos nas montas.

O outono vestiu-se com as galas da Primavera.

Só um Deus faria prodigios taes.

Deixai-nos vêr e adorar o Deus vivo.

Os pastores brandiram os cajados bradando, de novo:

«Hosannah! Hosannah!»

E, como José se afastasse dando-lhes passagem, precipitaram-se tumultuosamente e, ajoelhando-se, adoraram o Divino Infante.

Todos levavam dádivas campestres: este um anho, de vello fino, a boca rescendendo a leite; outro um casal de rolas; esse, um favo de mel, aquelle uma lan sedosa e, cada qual, offertando o seu presente, pedia, em oração intima, a graça do Menino Deus. [{144}]