Receio

Fino raio de sol insinuando-se na caverna pousou na palha abrindo um aro de ouro em torno da cabeça do Infante adormecido.

Todas as aves chilreavam, garrulas moças passavam na estrada; ás vezes eram récuas de dromedarios desfilando em ruidoso atropello.

Maria prestava attenção ao rumor, receiando pelo Filho. Tomou-o muito ao seio e, quasi de rastos, aprofundou-se na sombra escondendo o seu thesouro com amorosa avareza. [{152}]

Tão lindo! quem o não desejaria! E se um d'aquelles homens, descobrindo-o, investisse para arrebatal-o, quem o defenderia?

Na treva ficava a coberto de todos os olhares.

No fundo da caverna lentejava tristemente uma mina e a cada gotta do estellicidio respondia um som lacrimoso.

O ar era frio e humido, as paredes luziam lutulentas e, fóra, o sol brilhava, alegre e tepido, em fitas, em nimbos de ouro, lampejando nas arestas agudas da abobada escabrosa.

Quando José reappareceu—a herva da entrada subitamente esmarriu—vendo deserta a palha, estacou, olhando espantado, com apprehensões de desgraça.