Tão enlevada estava vendo o seu penhor mamar que nem sentiu que os seus peitos, junto aos quaes Jesus agasalhava-se, enchiam-se, apojavam-se. E toda ella refazia-se: a carne renovava-se-lhe robusta, voltava-lhe a côr ao rosto.
Satisfeita, a criança adormeceu ao collo de Maria e da boquinha entreaberta escorreu, rolou na terra uma gotta de leite, cahindo, como uma pérola, na raiz da figueira.
As duas mãis olharam-se caladas por [{172}] que as crianças dormiam. Trocaram-nas tomando, cada qual, a que lhe pertencia e a miseravel, agradecendo a esmola, foi-se por entre as margaridas do caminho.
Perdeu-se no meio das arvores, reappareceu no lançante do cerro.
De repente, já no cimo, envolta em luz, estacou derreando a cabeça como para olhar o ceu em pleno e subito, lançando os braços, tombou sobre os joelhos.
Dera, sem duvida, pelos peitos cheios.
Maria, para seguil-a com o olhar, levantou-se e, como se apoiasse á figueira, uma folha cahiu. Sentindo os dedos humidos mirou-os—estavam molhados de leite.
D'onde proviria? da fina haste da figueira de onde se destacara a folha.
A arvore sorvera a gotta de leite que rolara da boca do pobresinho e sempre [{173}] a verte mostrando-a aos incredulos, mal se lhe arranca uma folha ou se lhe golpeia um galho, como uma prova da misericordia suave. [{174}]