Lord Carnehan, o seu amante, acompanhava-nos. A tristeza da sua face, de todo o seu corpo cançado! Parecia ter sentido, aquelle rapaz de trinta annos, todo o travo da vida, visto desfolhar-se, uma a uma, todas as illusões, as ambições murchar, como quem assistisse ao incendio de todos os seus haveres e dos proprios castellos no ar que a sua mente creára.
Nem alcoolico, nem etheromano, abominando a morfina e a cocaina, tomando uma leve taça de café, apenas, resignára-se na vida, «deixava-se morrer», dizia.
Andava com Chiara, porque era preciso ter uma amante, como uma ecurie, um palacio em{77} Londres, um castello na Escocia e uma villa na Riviera, decorada por Burne Jones.
Chiara Liliam era a sua vontade. Ia para onde ella quizesse, para fazer alguma coisa e não ficar, no hall do Metropole Hotel, de olhos pasmados para os decotes largos das ladies, que liam jornaes.
Mas nenhum amor, nem mesmo sabia, talvez, se era macia a pelle da cantora. E assim viviam, ella feliz pela liberdade, risonha como um galho d'eglantines, elle, com uma razão de viver: acompanhar Chiara.
Chiara, que viu o meu cumprimento, mandou-me subir para o trem.
—Venha comigo ao parque... se não tem melhor...
—Ia justamente para lá aborrecer-me...
—Então venho a proposito...
Perguntei-lhe por lord Carnehan.