—Admira-se?
—A estas horas, já levantado, e em casa?
André abriu na bocca pallida um sorriso exangue; mesmo assim o sorriso brilhou nos olhos negros, fez viver toda aquella adolescencia, que parecia finar-se lentamente:
—Não me deitei.
—Ouves, Violante? Não se deitou!
A marqueza apareceu á porta, n'uma blusa clara, tremente nas rendas amarelladas, ainda aberto o guarda-sol lilaz, por onde se filtrava o sol, que extranhamente lhe coloria o cabello.
—Ó André! Que tolice!{116}
—Prometti vir ajudar-te, e mesmo que não promettesse, no dia da tua festa, eu não deixaria de vir arranjar a capella. Não está linda? Digam...
—Lindissima.
A pequena capella, em estylo da Renascença italiana, branca nos seus marmores puros, sobria d'ornatos, sorria nos festões de madre-silva, nas grinaldas de rosas, nos vasos trabalhados de que escorriam glicinias roxas, nas peanhas onde santos olhavam, suaves, os grandes lyrios abertos, em toda a florida vegetação que manchava a nitidez do marmore pallido, correndo sobre os frisos, despenhando-se pelas janellas largas, envolvendo-se ás columnas, vindo morrer no lagedo claro do chão.