Toda aquella architectura, feminina, sensual,—até na figura do Baptista o esculptor puzera um quebranto—brilhava e vivia uma vida lasciva e fina, ornatos delicados, sem exhuberancias, curvas que lembravam a doçura calida de corpos nus, no tom ambarino do marmore velho.

André desceu. A marqueza trazia nas mãos, ainda molhadas da rega, um molho de grandes orchideas d'um azul doente, listrado de esverdinhadas veias como feridas a apodrecer.

—E estas orchideas, onde as hei de pôr?

—Aqui não! Para o mez de Maria, para a festa de maio, orchideas não. Ponha-as no gabinete{117} do papá, junto das estampas de Goya... Aqui não!

—Tens razão, annuiu o marquez. Antes tragam maias...

—Vou eu buscal-as, lembraram André e a marqueza.

—Não.

—Não. Vou eu, Violante! insistiu André.

—Vamos ambos...

—Querem que eu tambem vá? offereceu sem enthusiasmo o marquez.