De vez em quando apparecia a baroneza d'Angra a visitar o marquez. Mal a presentia, André ia esconder-se n'algum recanto misterioso do parque, atraz d'uma estatua, entre buxos altos. Não era que não achasse agradavel estar com a baroneza, pequenina e gentil, com uns lindos olhos frescos e em quem sentia, quando a beijava, um perfume doce; e mesmo os labios d'ella eram mais vermelhos ainda do que os da miss, que os tinha tão vermelhos e emanava d'elles tamanho ardor sensual, que a creança o sentia confusamente.

Mas, passadas as primeiras ternuras, a baroneza fazia-lhe um minucioso exame de doutrina, diante do marquez que enrugava a testa, descontente.

—Diga lá o menino os mandamentos!...

André dizia contrafeito e arrastado.

—E os artigos da fé?... E as virtudes cardeaes?... E os Novissimos do Homem?...

—Mundo... Diabo... Carne...

—Carne, não, interrompia o marquez. Osso! Não é verdade, prima?

André não comprehendia, mas gostava, porque a baroneza deixava-o logo e voltando-se para o marquez:

—O primo tem esta creança como um filho d'heretico. Já conheci um inglez, e era protestante,{134} que ensinava o catecismo aos filhos! Mas o primo que tem papas na familia...

—Chegam para salvar o resto. Escusamos nós de pensar nisso, sorria.