—É pena ser seu filho. Tão lindo! Vê aquelles olhos tristes?...
—Gostava mais que fossem alegres!...
—Ora!... O primo não entende nada d'isto... Que lindos olhos!... Bem... Bem... Tenho de ir á novena.
Ao sair, sempre a mesma frase a proposito da escada onde figuras nuas se perseguiam, num lavor elegante e sobrio:
—O primo tem a casa cheia de indecencias! Acabo por não voltar cá!
André, porem, ia a fazer doze annos; não podia continuar entre o catecismo de D. Benito e o inglez doce da miss. O marquez mandou-o para o colégio. Mas á tarde, quando o conego o trouxe para casa, André abraçou-se ao pae a chorar e a pedir-lhe para não voltar ali.
A disciplina escolar, os olhos curiosos dos camaradas que o troçavam, o olhar duro dos mestres, o mau cheiro, a falta d'ar fizeram-lhe ter medo do colégio. E prometeu ao pae tudo, para não voltar.
—Até aprender as resas de D. Benito e as da tia Angra!
Com grande escandalo de D. Benito, o marquez anuiu.{135}
—Escusas de aprender resas. Vou-te arranjar, quando a miss se fôr embora, uma mestra franceza e professores que virão a casa dar-te lições.