André ficou admirado. Então a miss ia-se embora? Porquê?
—Acaba o seu contracto...
André foi, a correr, perguntar á miss. Cheio d'angustia, com uma suplica na voz:
—Então vae deixar-me?
—Yes, yes, my little André... E afagou-lhe os cabelos.
André agarrou-se a miss Lucy a soluçar nervosamente. A miss acariciava-o, queria beijal-o, chorava tambem, comovida, lagrimas de prata que se prendiam nos compridos cilios d'oiro.
Fôra a miss, até então, a unica mulher de que André gostára. A ella fazia as suas confidencias, contava-lhe as proezas de brigas terriveis com os amigos, as diabruras feitas ao conego. E a miss tinha sempre um sorriso e um afago para a creança, nunca lhe ensinára orações, não o castigava por não saber a lição, falta que se repetia a miudo; apenas lhe dera uma biblia com gravuras recomendando-lhe a leitura—sem resultado.
Á noite contava-lhe lendas poeticas da Inglaterra, castelãs brancas e tristes, almas de mortos que vagueiam e a voz dorida dos pagens soluçando d'amor...{136}
Muitas vezes, quando era mais mocinho, fôra a miss, no inverno, aconchegar-lhe a roupa no pequenino leito. Ao adormecer, a sensação branda das mãos delgadas de Lucy na sua face. E cantava como uma musica, a voz que dizia, ao fechar mansamente a porta:
—Good night, my little André.