Empallidecia e estremecia de commoção quando ao passar por uma egreja, via descêr, ou subir, para uma carruagem uma noiva toda casta e lindamente vestida de branco, coroada de flôres de larangeira. Tambem á pobre Emilia seria grato, transpor assim as naves do templo, e ali receber o sagrado annel de casamento.
Ronquerolle podia esposal-a, é verdade, a mais ninguem ella havia pertencido. Para elle era ella uma mulher honesta; para elle{17} devia ella ser digna de usar o seu nome.
Por vezes ella tinha a illusão de que a sua ligação seria santificada, mas pouco depois o seu intelligente espirito abraçava tristes ideias e tinha então o presentimento do futuro, glorioso para Ronquerolle, obscuro e desgraçado para ella. E esse devotado coração de mulher, verdadeiramente amante, preparava-se já para o sacrificio, em favor d'aquelle a quem tanto amava.
Emilia tinha ouvido toda a conversação de Ronquerolle com os seus amigos Maupertuis, Didier e Branche. Soubera que o amante ia deixar Paris, partindo para a Borgonha, e o seu coração palpitara com mais força, com violencia.
Tinha visto com as mais sombrias côres o futuro que a sorte lhe reservava e por isso chorava.
—Não chores assim, supplico-te! disse-lhe Ronquerolle, olhando-a ternamente. Commoves-me profundamente com as tuas lagrimas. O que pode affligir-te assim?!
—Julgavas-me adormecida e no entanto eu estava acordada, respondeu Emilia.
Conheço os teus projectos e os dos teus amigos. Ouvi o que disseram ha pouco.
O que te causa tanta alegria, entristece-me, porque é o fim d'esta nossa ligação que surjirá dos acontecimentos aos quaes vaes entregar todos os teus pensamentos, a tua existencia.
—Creança! retorquiu Ronquerolle, pois é esse o motivo da tua tristeza e das tuas lagrimas! Tu bem sabes que nunca te abandonarei! Vamos, socega!