Ah! Como ella agora comprehendia melhor os gritos de desesperação dos poetas e o scepticismo dos grandes observadores ante a alegria que passa e a felicidade que se aguarda.

E a pobre Emilia sentia mesmo um extranho prazer em sentir-se abatida pela dôr, agarrada pela morte.

Envolvia-se no seu infortunio como em luxuosa e linda capa de baile.{109}

Quando, após ter lido muito, a fadiga a prostrava, deixava cahir o livro sobre o leito e a sua ainda bella cabeça tombava sobre o almofadão, e perdia-se n'um mundo de recordações.

Via-se então ainda muito creança; rodeada de carinhos, adorada por sua mãe, que tambem bem cêdo a morte arrebatara.

Como esses dias lhe pareciam estar ainda proximos.

Recordava-se da egreja onde ia ouvir missa todos os domingos, com os seus modestos mas lindos vestidinhos claros, e onde pondo as mãos rogava a Deus e á Virgem toda a sorte de felicidades para a sua familia e para si.

Depois viera para Paris, recolhida por uma tia, após a morte de sua santa mãe.

Tinha então quinze annos e o seu maior desejo era estudar, aprender para ser quanto possivel independente. Seguira para isso o curso da Sorbonne.

Foi ahi que ella conheceu o Maximo, que ella o amou com toda a sua alma; sim, com toda a sua alma tão leal, tão enthusiastica.