E quando apenas tocara na taça da vida era preciso deixar o festim e seguir até lá baixo, ao cemiterio, a deitar-se na terra fria.

Emilia não podia, mau grado a resignação do seu temperamento e do seu caracter, olhar para o seu destino sem uma secreta revolta.

Como a «Joven captiva», de André Chenier, ella desejaria não morrer ainda.

Pois quê! a sua vida estava terminada, ella ia desapparecer da scena do mundo{110} sem ter visto acabar a primavera, sem ter colhido as flôres d'essa estação, sem ter repousado sob os ridentes arvoredos, sem ter conhecido o verão abrasador, nem o outomno fecundo!...

Tres mezes decorreram n'estas angustias moraes.

Ronquerolle foi admiravel de dedicação.

Quando o fim se approximou, quando o medico declarou que Emilia ia morrer, Ronquerolle nunca mais abandonou a doente.

Sombrio ante a implacavel fatalidade que pesa sobre os sêres humanos, accomodára-se juncto do leito da moribunda, sem ter a coragem de a animar.

Emilia, no delirio da febre falava-lhe como se longos annos de felicidade lhe tivessem sido promettidos.

—Maximo, dizia ella no desvairamento da rasão, Maximo, meu querido Maximo, nós vamos unirmo-nos para sempre!