A garganta comprimia-se-lhe e apenas podia volver os olhos sem mover a cabeça.

O medico tambem estava perto d'ella. O seu aspecto grave e triste era como uma phrase completa e fatal.

A morte reclamava aquella pobre rapariga e elle tinha que se curvar, aguardando apenas o momento em que aquella existencia teria que cessar.

Madame de la Tournelle collocára-se ao lado do medico.

O perfume a heliotrope da sua toilette enchia, embalsamava o quarto de Emilia.

A marqueza contemplava curiosamente aquella pobre moribunda e pensava que durante muitos annos a infeliz que ia morrer fôra a amante de Ronquerolle.

Este, sentado aos pés do leito da pobre creaturinha sentia a mais violenta das punhaladas que pode atravessar o peito d'um homem de coração.

E olhava essa figura magra, descarnada,{113} que elle amara nos dias da sua irrequieta mocidade.

Quantos beijos elle tinha deposto n'aquelles labios agora sem côr, n'aquellas faces, n'aquelles olhos, sobre esse rosto outr'ora encantador!

E não podia acreditar que a morte ia apagar a luz d'aquelles olhos que elle amára, e gelar aquelle coração que lhe pertencêra.