Emilia fez ainda um esforço para se sentar no leito. Ronquerolle correu a ajudal-a.

A infeliz voltou-se então para o lado onde se encontrava madame de la Tournelle, e poude ainda dizer:

—Oh! Minha senhora! Amae-o como eu o amei, apenas por elle!

Depois pondo a mão fria de neve sobre o rosto de Ronquerolle, proseguiu:

—Não tenhas remorsos, meu amigo, a minha vida estava condemnada! Eu teria querido viver apenas para ti...

«Tu não sabes como eu te amava! Mais tarde o comprehenderás e sinto que não poderás esquecer-me!...

E nada mais poude dizer. A sua linda cabeça cahiu novamente sobre a almofada, e alguns instantes depois a pobre rapariga expirava.

No dia seguinte um coche magnifico, coberto de flôres, dirigia-se lentamente, pelas dez horas da manhã, para os lados do cemiterio do Père Lachaise. Uma unica carruagem de luto seguia o coche funerario.

Tres pessoas occupavam essa carruagem. A um dos cantos um rapaz soluçava, immerso na dôr, aniquilado.

Uma dama com o rosto coberto por um{114} espesso véu, tentava inutilmente animal-o. Em frente d'elles, silencioso, sombrio, um homem, com o queixo encostado ao castão dourado da sua bengala, embrenhava-se em mysteriosos pensamentos.