Estas tres personagens eram Ronquerolle, madame de la Tournelle e o medico que tratara Emilia.
Eram elles que acompanhavam a querida creaturinha á ultima morada, tanto do rico como do pobre, do sabio como do ignorante, do valente como do fraco.
Em volta d'elles o ruido, o movimento da grande cidade, eram de estontear.
A manhã estava bella, o sol de outubro era ainda lindo com os seus reflexos de ouro e aquecia os boulevards.
Alguns passeantes reparavam n'esse bello coche funerario coberto de flôres e seguido apenas por uma carruagem.
E pensavam que havia ali talvez um d'esses dramas patheticos, que Paris possue em tão grande numero.
Ronquerolle, do qual a superior intelligencia cedêra o logar á tristeza, conservou-se muito tempo inconsolavel pela morte de Emilia. A febre da ambição fôra dominada pela da dôr.
Passou os dias a evocar a tocante recordação d'essa rapariga que elle tinha amado, que a elle se havia dado com todo o seu coração, que elle possuira e que morrêra por elle. De noite não podia dormir, erguia-se e ia contemplar o retrato da querida defunta, pendente d'uma das paredes da sua habitação.
Quando olhava para essa figurinha tão{115} graciosa, de olhar tão singello e tão suave, o seu coração estremecia com as recordações do passado, e grossas lagrimas cahiam dos seus olhos e rolavam sobre o seu rosto varonil de tribuno popular e de poeta.
Depois ia tirar d'uma gaveta um masso de cartas, e relia-as.