Sabia-as de cór, mas o fixar a calligraphia da sua joven companheira da mocidade, era para elle motivo de intima consolação.
Eram já de longo tempo essas cartas. A tinta havia empallidecido e as datas traziam recordações a Ronquerolle.
—Que fatalidade! exclamava elle.
Tudo se acabou.
O luto entrou no meu pensamento e jámais o amôr me dará uma alegria sem uma triste recordação. Encantadora e bôa creança, com a tua mocidade levaste tambem a minha para o tumulo. Os tempos de illusão acabaram-se, as horas tranquillas não voltarão mais. Agora só vejo na minha vida sombras e tempestades.
Para acalmar as suas apprehensões, para procurar serenar os seus nervos, Ronquerolle começou a escrever versos em memoria da sua adorada Emilia.
Compoz um verdadeiro poéma em sua honra e fêl-o publicar n'uma revista litteraria.
Esses versos foram notados e commentados nos jornaes politicos.
A marqueza de la Tournelle respeitou a dôr do seu amante.
Ella sentia uma infinita e deliciosa commoção ao pensar que tambem seria adorada por aquelle homem, e mais ainda que a{116} bôa, mas simples creaturinha que acabava de morrer.