No entanto continuavam os reis hispanicos a combater o reino de Granada, atacando-o por varios pontos e lados, e a pouco e pouco[{47}] conquistando-lhe territorios, castellos, praças e cidades, que incorporavam logo em seus Estados.

Voltou Colombo para Cordova, e esperou a decisão dos monarcas. Acompanhava-os á guerra, coadjuvava-os com seu braço e com seu valor; esforçava-se em ser-lhes util para lhes ser agradavel; e não perdia occasião de patentear á rainha seus enthusiasmos religiosos e seus sentimentos catholicos, no intuito de assim affeiçoar-lhe a sympathia e ganhar-lhe a protecção.

Depois de mais de um anno decorrido teve Colombo resposta de que, em presença da opinião e consulta do concilio de Salamanca, não se acceitavam seus projectos.

Acabrunhado deixou a Côrte, e seguiu caminho do convento da Rabida, onde de novo recebeu benigno acolhimento do prior Juan Perez.

Sentiu-se o prior offendido, e tratou de chamar amigos para ouvirem a Colombo e combinarem em qualquer alvitre: um medico illustrado e um navegante rico de Palos, Martim Pinzon, chefe de importante e numerosa familia, formaram com[{48}] elle e Colombo a sociedade em que se discutiram os projectos e theorias do geographo.

Pinzon que era instruido, e o medico intelligente, convenceram-se, tanto como o prior, de que o plano de Colombo era exequivel, e daria grandes proveitos, riquezas e gloria á Hespanha. Resolveram que se tentassem ainda esforços com os reis de Hespanha para acudirem ao pedido de Colombo. Partiu um emissario com cartas para varios personagens eminentes, rogando-lhes a intervenção.

Bem succedidas foram as endereçadas ao Duque de Medina Celi e ao arcebispo de Toledo: conseguiram estes personagens importantes que Isabel mandasse de novo chamar Colombo á sua Côrte.

Partiu Colombo ao encontro dos monarcas que estavam em Santa Fé, cidade improvisada na Veiga de Granada, junto á capital dos Abencerrages, e destinada á combatel-a, apertando-a em cerco. Corria o anno de 1491.

A guerra absorvia os cuidados de Isabel: era ella a protectora de Colombo, porque Fernando[{49}] considerava sua idéa de utopia: a guerra foi ainda causa de que nada por emquanto se decidisse. Por fim cahiu Granada em poder de Castella: assistiu Colombo á scena da entrega das chaves do Alhambra e da cidade, da expulsão e desterro para a Africa dos reis Mouros e de quantos subditos seus se não prestaram a ser baptisados christãos. Presenciou tambem a entrada de Fernando e Isabel dentro dos muros da famosa capital que teve de derribar os crescentes Mahometanos das mesquitas e edificios, e erguer em seu logar a Cruz de Christo victoriosa e ufana.

Nada de decisão todavia á respeito dos projectos de Colombo, e já se entrava no anno de 1492. Desanimado com tantas demoras resolveu elle partir, e inesperadamente, de Granada, decidido a procurar outros governos, que lhe comprehendessem as ideias e as coadjuvassem.