[33] O que se conta, sempre que a origem se não cita, provém da narrativa que ha cinco ou seis annos o seu chorado mestre e amigo fez verbalmente ao author.
[34] V. Os dois mundos, out. de 77.
[35] V. Elem. de Anthropol. (2.ª ed.) pp. 195-7; e Inst. primit. V-VII.
[36] ed. reorgan. do banco de Port.
[37] V. Hist. da civil. iber.; introd.—Hist. de Portugal, l. 1, 3.
[38] V. Hist de Portugal; app. 111.
II
A LIQUIDAÇÃO DO PASSADO
1.—A RAPOSA E SUAS MANHAS
Enxutas as lagrimas devidas á memoria do ultimo dos liberaes, passemos a tratar dos vivos, regenerados. Como um Saturno devorador dos filhos, assim a Liberdade tragara os melhores dos seus: Mousinho, Passos, Cabral, Herculano—tudo victimas! Dos antigos, para herdar os restos, ficam apenas dois bastardos: Saldanha e Rodrigo o sceptico, nem liberal nem cousa alguma, sem doutrinas, sem illusões, com o instincto negativo apurado pelos annos, e a dura licção de 42 presente.
Figura perfida, sulcada pelas rugas da edade e pelos antigos despeitos reprimidos, é a imagem do Portugal velho catholico e liberal, da nação que tudo abandona, de tudo descrê com um riso de ironia amarga. A face é a do beirão, quadrada, cheia e forte; mas os labios finos não exprimem colera senão desdem, e nos olhos vivos ha largas revelações de intrigas miseraveis, de podridões sabidas, ha dardos que atravessam o recalcitrante dizendo-lhe: vi-te em tal dia, conheci-te em tal hora: se te sei podre, porque vens falar-me em honra? Sem o dizer com a bocca, insinuava-o com o olhar; e depois de submetter o hypocrita que lhe falava, apertava-lhe as mãos ambas, com sorrisos o palavras meigas, confessando a sua amisade.