D’esta combinação resulta que, havendo
| 5 milhões de 5 passava a haver 6 | titulos novos |
| 6 » 3 » » 5,4 |
o nominal da divida ficava proximamente o mesmo, mas o juro subia proximamente de 4, em média, a 5. Era pois o premio de um por cento ou 540 contos ao anno? Era; ou antes seria, se a combinação podesse ir até ao fim; porque os juros differiam-se, por meio de uma escala ascendente:
| De | 1841 a | 4 | pagar-se-hiam | 2,5 | p. 100 | |
| » | 45 a | 8 | » | 3 | » | |
| » | 40 a | 52 | » | 4 | » | |
| » | 53 a | 60 | » | 5 | » | |
| Depois de | 60 | » | 6 | » | até amortisação | |
| do que nos anteriores periodos se pagara menos do que 5. | ||||||
Durante o praso de vinte annos a ordem politica e financeira permittiria fazer estradas e vias-ferreas, a agricultura progrediria, etc. Sabemos de que fórma o cabralismo pensou realisar este plano, com a ordem doutrinaria e com a babel das companhias do agiotas.
Em 41 (9 de novembro) o moço financeiro Avila, ainda não duque mas já importante, entregou a administração da divida externa á Junta do Credito Publico, impondo ao mesmo tempo aos crédores da interna a deducção do decimo dos juros. Tivessem paciencia esses pensionistas do Estado: tambem os funccionarios a tinham!
Com os crédores londrinos é que se não podia bolir: ora indispensavel consolidar o systema da escala ascendente a vêr se se conformavam com elle e nos contavam no seu stock-exchange. Só depois d’isso se conseguiria algum novo emprestimo! Costa-Cabral concebendo uma ordem diversa da ordeira, uma ordem cartista, concebeu outra chimera: a de obter recursos internos, para com a riqueza da nação—exhausta!—supprir o que o extrangeiro nos não dava. De um tal plano era orgão o legado cabralista no Thesouro, o conde do Tojal.
Mas os embaraços cresciam, o dinheiro faltava. Os titulos externos estavam recebendo a 3 p. 100 em 45, quando para vêr se se obtinha uma paz, o governo resolveu (lei de 19 de abril) reconvertel-os para 4 compromettendo-se a uma amortisação annual de £25:000. Ainda se não reconhecera esta verdade elementar: que pedir emprestado para amortisar é uma illusão ruinosa. Erro, illusão era, porém, tudo, e a Maria-da-Fonte veiu demonstral-o. Mas não era mais sensato, nem mais practico o seu governo que lançava a reducção de 20 por 100 aos juros das duas dividas, juros que elle não podia pagar, e assim, lucrando nada, desacreditava-se por dois caminhos. Abolidos esses descontos impensados, voltou-se ao estado anterior da decima unica na divida interna, capitalisando se os dividendos por se não poderem pagar.
Tojal saíra por uma vez, como quem para nada prestava já (22 de agosto de 47). Havia paz durante o reinado de Saldanha, Monk de Costa-Cabral, (18 junho de 49) que poz na Fazenda Avila, esperanças da patria. O segundo ministerio cabralista não foi melhor na finança do que na politica. Apesar de moço, Avila sempre fôra velho no pensar: jurava pela amortisação! E jurando, as cousas iam indo de mal a peior; e, se Costa-Cabral caíra em 46 precipitado do alto de uma torre de papeis, agora ia pouco a pouco enterrando-se n’um olheiro de penuria. Desde julho de 48 que se supprimira o systema de capitalisar os juros em divida: para se pagarem? Sim, menos a quarta parte; mas nem isso, cousa nenhuma se deu, nem a nacionaes, nem a extrangeiros.
Não se está vendo a urgencia de regenerar as cousas?