Leilões de generos avariados: Boa-fé no largo das Necessidades; Egualdade de Direitos nas secretarias d’Estado; Liberdade de voto, nas assembléas eleitoraes, etc.

(Bandeira, Artilheiro, n. 2 e 23).

Com effeito, os chefes não se tornavam crédores de um respeito demasiado.

Á morte de D. Pedro, segundo vimos, Palmella apoderou-se do governo, fundindo-se a sua clientela, ou partido, com o da regencia n’esse momento acabada. O caracter revolucionario do governo da dictadura terminára, e dos antigos ficavam no ministerio apenas Freire, e Carvalho o financeiro indispensavel. Era necessario pôr ponto no «deitar abaixo». Já Palmella, no conselho de Estado, tinha votado com a maioria contra a extincção dos conventos, que apezar d’isso Aguiar decretou em secreto accôrdo com D. Pedro; já pozera depois o seu veto ao remate do plano de Mousinho, a abolição dos morgados. Moderado sempre e aristocrata, o radicalismo dos philosophos parecia-lhe tão mau como a demagogia: quer a vencida demagogia miguelista, quer a demagogia ameaçadora da opposição radical. Com os olhos invariavelmente voltados para a Inglaterra, não concebia outro typo de nação, além do typo aristocratico, liberal e conservador. No governo succedia-lhe agora o que sempre lhe succedera: era antipathico e ninguem o recebia. Reconhecendo todos a sua habilidade, parecia a todos que só a ambição pessoal o movia. O povo, já minado pelas theorias democraticas, considerava-o um tyranno; e a cauda dos odios pessoaes que as intrigas e os erros da emigração lhe tinham feito, voltava-se agora e mordia-o. Quando pela terceira vez a CARTA se rasgou para casar (1 de dezembro de 34) a rainha com o primeiro dos seus dois maridos allemães, quando a opposição pedia «um fidalgo portuguez», dissera-se muito que Palmella pensava em fazer da rainha sua nora.

Mas esse principe contratado para dar herdeiros á corôa portugueza (os nossos visinhos hespanhoes chamam coburgos a taes maridos) durou pouco; e a sua morte (28 de março de 35) foi motivo de uma crise. Lisboa appareceu crivada do pasquins accusando Palmella de envenenador, o attribuindo-lhe a ambição de querer para seu filho a mão da rainha: Wellington, de lá, apoiava o plano! O povo acreditou e saíu. Houve tumultos graves (29), pedindo-se a cabeça do traidor. Terceira que já em 27, nas Archotadas, carregara essa canalha desembainhou outra vez a espada fiel e manteve a ordem.

Mas só uma ordem apparente, porque no fundo havia uma anarchia real. Varias clientelas, com os seus chefes e os seus programmas varios, ambicionavam o poder. Palmella era um estorvo e contra elle se fundiam as opposições todas, congregadas para o ataque.

Um pasteleiro queria

Fabricar um pastelão

E porque tinha de nada

Deu-lhe o nome de fusão