Homens que teriam legado á posteridade nomes gloriosos e sem mancha e que, mais modestos nas suas ambições materiaes seriam vultos heroicos da historia, pararam-se como condottieri mercenarios; ao passo que outros, depondo as armas e voltando á vida civil, exigiam ser revestidos de cargos publicos, para exercer os quaes lhes faltavam todos os predicados.

(Opusculos, 1).

E perguntas ainda, propheta! quem preparou e fez surgir a revolução? Quem? senão a colera do Senhor, como n’aquelle dia em que mandou o diluvio? E de toda a humanidade perdida apenas houve dois Noés, que merecessem graça aos olhos do Senhor! E um foi Passos, a quem elle chamou ao seio da eterna sabedoria, embalando risonho a filha sobre os joelhos, já esquecido da Liberdade; outro foi Sá, a quem confiou o commando da Arca sobre as aguas do diluvio. E dentro da Arca havia casaes de todas as especies. E quando o temporal cessou, Noé-Sá abriu a Arca. E havia a constituição nova de 38, iris de bonança, fructo da copula das gerações condemnadas cujas sementes se guardavam na Arca. E era uma especie diversa do romantismo antigo ...

2.—A POESIA DAS RUINAS

Portugal apparecia, com effeito, como emergindo de um diluvio que alagara e destruira tudo: as instituições e os caracteres, a riqueza e os costumes. Mas, por cima de todos os destroços, a imaginação dos poetas e artistas via os dos conventos. Não podia deixar de ser assim, n’um paiz que fôra um communismo monastico. Os frades tinham saído a campo a defender-se. Em 31 quasi todos os mosteiros ficaram abandonados á guarda de um ou dois leigos, porque as communidades arregimentavam-se:

Negros, uns vultos vaguear se viam

A cruz do Salvador na esquerda erguida

Na dextra o ferro, preces blasfemando:

Não perdoeis a um só! feros bradando

Entre as fileiras, rapidos, corriam.