[21] V. O Brazil e as colon. port. II, 1, 5.

[22] V. Hist. de Port. (3.ª ed.) I, pp. 123-5.

[23] V. O Brazil e as col. port. (2.ª ed.) I, 1, 5.

[24] V. Hist. de Port. (3.ª ed.) II, pp. 129-30 e 177-8.

[25] V. Hist. de Portugal, l. V, 4.

LIVRO QUINTO
O CARTISMO
(1839-51)

I
COSTA-CABRAL

1.—OS ORDEIROS

Rodrigo dissera que a questão ingleza, causa da queda de Sabrosa «era um sacco de ouro», e entrou no governo, sob a presidencia de Bomfim, tendo Costa-Cabral por lugar-tenente na Justiça, disposto a dar esse ouro e a passar por cima de tudo, rapido, breve, dissimuladamente unctuoso, affavel, risonho, cheio lá por dentro de orgulho e imperio, (Hontem, hoje e am.) sem olhar aos cachopos, navegando para ir dar fundo no porto seguro da Ordem, e ser ahi acclamado como o mais habil dos pilotos. O seu norte não era um principio, era um resultado pratico. Achava egualmente singulares as preoccupações theoricas dos democratas e dos cartistas, e sem partilhar nenhuma d’ellas, mirava apenas a uma paz, para ganhar a qual não hesitava em as atropelar, nem á dignidade, ao decóro, ao brio da nação. Elle julgava conhecel-a de perto, e de ha muitos annos!

Saldanha, que desde a paz constitucional de 38 tinha regressado da sua emigração, era o homem para mandar a Londres, amansar Palmerston. O inglez, com effeito, chegara ao desespero perante a nossa resistencia passiva e surda: a resistencia dos enfermos, similhante á do Egypto ou da Turquia dos nossos dias. Reclamava o cumprimento do tratado para a abolição do trafico dos negros, tratado que os nossos negreiros não podiam consentir se executasse a serio.[26] Reclamava as despezas da divisão auxiliar de Clinton em 27 (£173:030) e mais os soldos por pagar a Beresford e Wellington (£124:255), ao todo uns 1:400 contos. Sá-da-Bandeira, e agora Sabrosa, tinham caído, sem poder resolver a questão. Esperava Rodrigo conseguil-o com as suas artes? Illudia-se. Em maio, Palmerston mandou ordens positivas ao seu embaixador de Lisboa: Se até 15 (maio de 1840) não fossem attendidas as reclamações inglezas, expedisse o vapor que tinha em Lisboa para Malta, d’onde uma esquadra saíria a tomar posse de Goa e Macau; e se se fizesse algum mal aos residentes britannicos em Portugal, outros navios iriam apoderar-se da Madeira. (V. Carnota, Memoirs.)