Mistério para Blau, muito rico… muito rico… mas todo dinheiro que ele recebia, que entrava das vendas feitas, todo dinheiro que lhe pagavam a ele, todo desaparecia, guardado na arca de ferro, desaparecia como desfeito em ar…
Muito rico… muito rico das onças que precisasse, e nunca faltaram para gastar no que lhe parecesse: bastava-lhe gargantear a guaiaca, e elas começavam a pingar;… mas nem uma das que recebia lhe ficava, todas evaporavam-se, como água em tijolo quente…
IX
Então começou a corre um boquejo de ouvido para ouvido… e era que ele tinha parte com o diabo, e que o dinheiro dele era maldito porque, todos com quem tratava e recebiam das suas onças, todos entravam ao depois a fazer maus negócios e todos perdiam em prejuízos exatamente a quantia igual à de suas mãos recebida.
Ele comprava e pagava e pagava à vista, é certo; o vendedor contava e recebia, é certo, mas o negócio empreendido por esse valor era prejuízo, garantido.
Ele vendia e recebia, é certo; mas o valor recebido, que ele guardava e rondava sumia-se como um vento, e não era roubado nem perdido; era sumido, por si mesmo…
O boquejar foi alastrando, e já diziam que aquilo, por certo, era mandinga arrumada na salamanca do Jarau, onde ele foi visto mais de uma feita… e que lá é que se jogava a alma contra a sorte…
E os mais vivarachos já faziam suas madrugadas sobre o Jarau; outros mais sorros, p’ra lá tocavam-se ao escurecer; outros, atrevidaços iam à meia-noite, outros ainda ao primeiro cantar dos galos…
E como nesse carreiro de precatados cada um fazia por ir de mais escondido, sucedeu que como sombras se pechavam entre as sombras das reboleiras, sem atinar co’a salamanca, ou sem topete para, na escuridão, quebrar aquele silêncio, chamando o santão, num grito alto…
No entanto, Blau começou a ser tratado de longe, como um chimarrão rabioso…