Já não tinha com quem pautear; churrasqueva solito, e mateava, rodeado dos cachorros, que uivavam, às vezes um, às vezes todos…

A peonada foi saindo e conchavando-se noutras partes; os negociantes nada compravam-lhe e negaceavam para vender-lhe; os andantes cortavam o campo, para não pararem em seus galpões…

Blau deu em cismar, e cisma foi que resolveu acabar com aquele cerco de isolamento, que o ralava e esmorecia…

Montou a cavalo e foi ao serro. Na trepada sentiu nos dois lados barulho nos bamburrais e nas restingas, mas pensou que seria alguma ponta de gado chucro que disparava e não fez caso; foi trepando, nem guaraxaim corrido, nem tatu vadio; era gente, que se escondia uns dos outros e dele…

Assim que chegou à reboleira do mato, tão sua conhecida e recordada, e como chegou, deu de cara com o vulto de face branca e tristonha, o sacristão encantado, o santão.

Ainda desta vez, como era ele que chegava, a ele competia louvar; saudou, como da outra:

— Laus’ Sus’ Cris’!…

— Para sempre, amém! respondeu o vulto.

Então Blau, de a cavalo, atirou-lhe ao* pés a onça de ouro, dizendo:

— Devolvo! Prefiro a minha pobreza dantes à riqueza desta onça, que não se acaba, é verdade, mas que parece amaldiçoada, porque nunca tem parelha e separa o dono dos outros donos de onças!… Adeus! Fica-te com Deus, sacristão!