—Trocada por um cavallo!

—E o cavallo?

—Por uma bola d'ouro do tamanho da minha cabeça!

—E esse ouro?

—Foi a paga que recebi de sete annos de serviço!{47}

—Sim, senhor!—exclamou o amolador—Não se perde! Se não mudar de tactica ainda ha de junctar muito dinheiro.

—Parece que sim!—retorquiu João—Que hei de agora fazer para o conseguir?

—Faça-se amolador. É-lhe necessaria apenas uma pedra de amolar... o resto depois vem com o andar dos tempos. Tenho aqui uma; já está um pouco gasta, mas para lh'a vender não, troco-a pelo pato. Convem-lhe?

—Se convêm!—acceitou logo João—Se succeder, como diz, que nunca me ha de faltar dinheiro, serei um rei pequeno, sem cuidados, sem ralações e sem trabalho!

Entregou em seguida o pato ao amolador, que lhe deu uma pedra de amolar e uma outra que apanhára do chão.