—Como foi isto arranjado?—perguntou á rainha.—Havia dado outra ordem na minha carta!{102}

A rainha apressou-se a mostrar-lhe a carta afim de se certificar do que havia escripto. O rei leu-a, e viu que fôra trocada. Perguntou ao rapaz o que havia feito da carta que lhe confiára, e como é que havia trazido outra.

—Não sei!—respondeu o rapaz. Só se me foi roubada na noite que passei na matta; aproveitando-se do meu somno.

O rei tornou irritado:

—Não me serve essa desculpa, e tanto que minha filha não te pertence, emquanto me não trouxeres do inferno tres cabellos d'ouro da cabeça do diabo; satisfeita esta condição, restituo-te a princeza.

O soberano, falando assim, cuidava que ficaria livre d'elle de uma vez para sempre. Como resposta, o rapaz nascido n'um folle disse ao rei:

—De boa vontade acceito a sua proposta de trazer os tres cabellos{103} d'ouro, tanto mais que não me arreceio do diabo!

Dictas que foram estas palavras, despediu-se e pôz-se a caminho.

Esta estrada ia ter a uma cidade, ás portas da qual estava uma sentinella que lhe perguntou em que elle poderia ser-lhe util e o que é que sabia.

—Sei tudo—respondeu o rapaz nascido n'um folle.