Muitas vezes castigava rindo. É certo. Não cessava todavia atravez do riso a tenacidade de combater, a intuição e o ardor apostolicos, caracteristicos, como o humorismo, do sangue germanico. Sempre se uniam na alma do poeta aquella visão exacta das realidades e sua ordem, propria da educação romana, e o espirito de missão religiosa que nunca abandona os povos de origem septentrional. Se alguem representou por completo, resumindo-as nas tendencias e altos talentos de um só individuo, «estas sociedades, meio romanas, meio germanicas na[{163}] indole, e celto-romanas na raça, que estanceiam ao Occidente», foi Alexandre Herculano, foi exactamente quem melhor as definiu na historia. O polemista manteve-se inquebrantavel até ao final da sua vida. De facto nunca abandonou as armas. Os derradeiros annos da sua existencia, as condições de desprendimento em que os passou, e a voz que de longe em longe nos vinha do ermiterio de Val-de-Lobos, foram pelo exemplo e pela affirmação explicita uma exortação ininterrompida á virtude, e um clamor instigando a contricção e emenda as gerações corrompidas cuja degradação presenciava com amargura. Corria-lhe nas veias a febre de exame intimo constante e de ambição de conquista moral e religiosa peculiares áquelles que deram á humanidade a renovação fecunda do protestantismo. Chamaram-lhe lutherano os que suspirariam por o levar ás fogueiras da Inquisição, se ainda as houvesse, porque lhes arruinava os milagres e a consequente exploração de estupidas crendices populares. Havia qualquer cousa de verdade n'essa designação. Sómente o honrava, em vez de ser pejorativa. Traduzia o reconhecimento de uma independencia rebelde a toda a seducção e lisonja de sensualidades satisfeitas e vaidades saciadas, a confirmação da posse de faculdades raras[{164}] entre latinos, commodamente conciliadores, a verificação da revolta insubmissa do combatente, inimigo jurado e exaltado de todas as oppressões, do despotismo dos homens e da escravidão da consciencia. Por erro o julgaram desalentado e vencido. Jámais o foi. Reagiu sempre, nunca tolerou ambiente que lhe repugnasse ao coração. Defendeu-se constantemente, de reducto em reducto, levando intactos e intangiveis seus escudos. Onde achou terreno ingrato para a sua alma, logo a transpôz para logar em que podesse offerecer-lhe resguardo conveniente. Deixou as armas, deixou a politica, deixou as lettras, deixou o seu minguado mundanismo da cidade, mas não por fraqueza; deixou-os, para renovar com uma energia inexaurivel as condições da sua vida apenas se convencia de que as não tinha adequadas á preservação da sua pureza.

Vicente Ferrer diz-nos que Alexandre Herculano «gostava de questionar e discutir». Presente-se, com effeito, nas suas polemicas certo prazer de se defender e flagellar a matilha que o assaltava latindo raivosamente. Com facilidade acceita o duelo, não mostra pressa de o rematar, e, muito ao contrario, procede com tal pausa na destituição do antagonista, arrancando-lhe uma a uma as suas[{165}] armas, que, se não lhe foi deleite a tarefa, pelo menos não a houve por enfadonha ou penosa. Sendo o combate instrumento de propagação da verdade, logicamente não poderia desamal-o, antes deveria apetecel-o quem tinha a verdade em conta de missão suprema. Combatendo reconheceria, não só a constituição vigorosa das proprias forças, o que o alegrava, mas tambem a expansão e derramamento da sua crença, o que lhe satisfaria a consciencia e lhe premiava o esforço.

Tornou-se materia corrente que o dominava o orgulho.

Não é exacto. Confundiu-se o orgulho com a defeza attenta e prompta da dignidade, com a justificação vigilante dos seus actos em que a salvaguarda da propria honra se juntava á necessidade constante de exame de consciencia. Na polemica que mais fundamente deveria feril-o, porque lhe contestava crenças religiosas, e nenhumas tinha mais arreigadas em seu peito, vinha adduzir com exactidão e vigor os factos em que na vida patenteára, muito mais do que generosidade com os vencidos e perseguidos, verdadeiro amor da egreja e do clero. «Como procedera elle sempre ácerca de egreja e do clero?» perguntava, indignado pela offensa que um catholicismo estreito de intelligencia e de[{166}] coração fazia á nobreza cavalheiresca do seu caracter, n'este caso inflamada pela fé religiosa, e pelo respeito e encanto da tradição e por toda a poesia do culto. E respondia, com uma serenidade em que se advinham tremores de mágoa e mal contidos impetos de desaggravo: «As ideias do seculo, recalcadas por uma compressão violenta, a que, força é confessal-o, a maioria do sacerdocio se havia associado, tinham reagido violentamente, e assentavam-se triumphantes sobre as ruinas do passado quando eu entrei no campo de imprensa, no campo das batalhas do espirito. De roda de mim jaziam os fragmentos da sociedade que fôra, e no meio d'elles o clero, disperso, empobrecido, coberto d'affrontas, experimentava as consequencias do predominio de um partido adverso e irritado. A situação da egreja portugueza n'essa epoca, e sobretudo a situação dos regulares, sabemos todos qual era. Foram feridas de que, porventura, ainda mais de uma goteja sangue. Os homens das velhas opiniões politicas, no meio do terror, vergados pelo desalento de uma queda tremenda, duplicadamente dolorosa pela desesperança, calavam. Nem uma voz amiga se alevantava n'esta terra de Portugal a favor da egreja batida pela tempestade. Ainda então esse grupo de mancebos[{167}] cheios de talento, de inspirações grandiosas e de crença fervente na liberdade humana, e pela liberdade na eterna justiça; essa phalange, no meio da qual todos os dias apparecem novos soldados, e que não se envergonhava de Deus nem do seu Christo, não tinha ainda começado a surgir para ser generosa com os adversarios das suas ideias, quando a desventura os santifica. Na imprensa liberal, revolucionaria, impia, como quizerem chamar-lhe, eu, só eu, tive por muito tempo palavras de affeição e consolo para a desgraça; só eu tive animo para accusar os homens do meu partido de espoliadores e insensatos; para tentar revocal-os á poesia do christianismo, do eterno alliado da liberdade. A voz que do campo do progresso saudava o templo enlutado e deserto era debil, mas sincera: a mão que se estendia para amparar o sacerdote curvado sob o peso da agonia era bem pouco robusta mas era leal! Como Yorick guardava a caixa do pobre franciscano entre os symbolos da sua religião de affectos, eu guardo para mim, e só para mim, mais de um papel escripto por mãos tremulas de velho monge, e talvez regado por lagrimas, em que se reconhecia a possibilidade de haver um homem das novas ideias que não fosse absolutamente um malvado. É sobre estas reliquias que eu[{168}] quero encostar a cabeça para dormir tranquillo o ultimo e longo somno em que todos devemos repousar»[[87]].

Havendo, porém, fallado d'este modo, que a leviandade tomaria por altivez aggressiva ou desdenhosa, logo se apressa a esclarecer e dissipar por palavras de humildade essa impressão, como suspeitando-a, temendo-a, e não querendo que subsistisse tão mal pensado e calumnioso conceito. «Trouxera para o campo da historia», dizia elle então, «o mesmo amor da verdade singela, que tinha mostrado n'uma das mais graves questões sociaes. Não se arrependera do que fizéra. Cumpria um dever que lhe impunham Deus e a sua consciencia. Não esperava arrepender-se do que fazia. Cumpria uma obrigação litteraria, e estava certo de que bem merecia da terra em que nascêra escrevendo a verdade». Só hesitava «sobre a legitimidade das suas queixas; sobre se, no que suppunha um dever de honra, não haveria um pouco da obcecação da vaidade. Quando Roma que parecia ter jurado nas aras de Jupiter Stator o exterminio do catholicismo, crucificava no seu Index nomes como os de Chateaubriand e Lamartine; nomes como os de Gioberti e[{169}] Ventura, teria elle, verme que passava á sombra do seu nada, direito de offender-se porque de pulpitos obscuros, n'um canto obscuro da Europa, alguns clerigos maus ou ignorantes lançavam sobre elle o vilipendio das suas palavras? Quando a egreja, involvendo a fronte no véu da sua immensa tristeza, e sentindo humedecer-lhe os pés o sangue humano vertido pelo ferro sacerdotal, contempla aterrada o futuro, havia dôr de individuos a que fosse licito um brado»[[88]]?

A victima de um odio estupido defendera-se do aggravo, mas o christão, dominado pelo desprendimento divino e pela abdicação na vontade do Senhor, duvidava não só do direito de defeza mas até da legitimidade de accusar a injuria e se queixar. Na hesitação do combatente revelar-se-ia um eterno problema de consciencia; na apreciação do facto accidental transpareceria o conflicto, porventura insoluvel, da religião da honra e da religião de Deus. Mas o que, com certeza, se sumia e dissipava era o ultimo vestigio de sentimentos de orgulho.

No fundo, não poderia tel-os quem se sentiu presa de arrependimentos porque expontaneamente reconheceu, desconfiando de haver[{170}] caido em erro, «não ser dos menos sujeitos a ceder ás vezes aos impulsos da vivacidade»[[89]]. Em ultima analyse, bem ponderados todos os elementos que entravam na sua constituição moral e de que elle nos deixou bastas indicações, Alexandre Herculano não seria orgulhoso nem humilde. Quem tão singela e modestamente confessava gratidão e, pelo facto, se mostrava commum mortal, fraco e sujeito á bondade do auxilio estranho; quem, longe de alardear independencias mentirosas e estultas a que a comprehensão do proprio valor o poderia sem estranheza tentar, declarava dever á intelligente previdencia de um rei a situação isenta de encargos pesados que lhe permittiu dedicar-se por completo ao aturado trabalho da composição da historia e haver emprehendido o estudo da Historia de Portugal para educação do principe, pagando ao filho a divida que contraira com o pae e tributando em troca do pão e do socego que lhe concederam a fortuna immensa de talentos assombrosos: quem pretendia collocar-se n'esse terreno chão da fraqueza e do affecto vulgar, não seria nem orgulhoso nem humilde, seria apenas um justo, pedindo justiça para si pelos impulsos da mesma rectidão em que aos estranhos[{171}] procurava fazel-a, tendo reclamado o seu logar entre os da sua graduação moral, sem ignorancia ou preterição dos que por qualquer titulo lhe estavam acima, e muito menos sem desprezo dos que lhe ficavam inferiores, sem prescindir dos direitos que possuia e sem regateiar as obrigações que lhe cabiam ou occultar fraquezas a que se reputava exposto. Julgaram-no orgulhoso, porque alliando a força á justiça, uma virilidade intemerata a um sentimento indefectivel do dever, abominando a impostura, a hypocrisia, toda a ostentação de falsa modestia, não cedendo a incentivos do proprio capricho, se é que por elle passaram, affrontando valoroso toda a contingencia, disse de si e dos outros com uma energia superior toda a verdade. É singular até que seja quasi estranha ao caracter de Alexandre Herculano a melancolia, esse suave desfallecimento e queixume proximos da voluptuosidade na mágoa; no seu peito sómente responderiam á dôr a tristeza, os soluços ingentes e as lagrimas abundantes e francas de vencidos. A magnitude da reacção, o grito de mortificação denunciava a valentia do opprimido, as contracções gigantescas em que se debatia antes de succumbir, e nunca a morbida debilidade de quem se allivia renunciando ao seu querer e entregando-se ás fluctuações do destino.[{172}]

A robustez inviolavel no combate, na crença e no soffrimento consentiu-lhe a sinceridade e a largueza na ternura. Sómente os verdadeiramente fortes a possuem. Demanda profundezas taes de desprendimento, tão larga vibração de sympathia, que só a confiança de uma perfeita fortaleza intima as admitte. A bondade e o affecto vulgares, justamente porque são fracos, não ousam sujeitar-se a perdas, guardam sempre com avareza, em toda a expansão carinhosa, certa reserva de um egoismo que nem por instantes descura os seus pequeninos interesses. Mas Alexandre Herculano, porque era forte, pôde ser terno sem pusillanimidades de uma acanhada prudencia. Podia amar esquecendo-se por completo no amor; instinctos vigorosos o afoitavam, assegurando-lhe que em toda a abdicação o seu ser se enriquecia em vez de alienar e depauperar-se. As suas relações com D. Pedro V e as cartas intimas á esposa, das quaes com muita razão se tornou famosa a que vem publicada no Estudo Critico-Historico de Alexandre Herculano, de D. Antonio Sánchez Moguel, lido na Real Academia de Historia de Madrid, são testemunho eloquente de como o amor sublimado d'aquelle inspirado apostolo baixou intacto e perfeito das regiões em que é um poder divino, universal e soberano, para o[{173}] conforto do lar e para o respeito e dedicação de homem a homem, em que se torna doçura, encanto e lenitivo da vida mortal dos miseros seres ephemeros onde habita a consciencia eterna. Esse homem, que não podia ignorar a sua estatura herculea porque as rudezas das batalhas e dos trabalhos lh'a punham em prova e em evidencia aos olhos dos estranhos e aos proprios olhos, não temia aviltar-se, ou sequer amesquinhar-se, publicando que o rei, um moço, começava a exercer sobre elle «aquella especie de absolutismo moral que, provavelmente, aos trinta annos havia de exercer, se vivesse, no geral dos animos»; não tinha pejo nem admittia desdouro em se confessar vencido pela vontade e pelo entendimento alheio, satellite do prestigio d'aquelle deante do qual, pela edade e pela experiencia, ainda que por mais não fosse, poderia sem offensa allegar superioridade. E, ao mesmo tempo, as mãos que votou ao trabalho da terra e n'elle endurecera, para as purificar e avigorar n'aquelle salutar mestér e sacerdocio, guardavam doce flexibilidade de ternura, capaz de proteger e amaciar o ninho em que abrigava a companheira e de a amar com carinho, interessado e collaborando de continuo nas suas fainas, indulgente para os seus appetites e sollicito em lhe alliviar enfermidades.[{174}]

Da grandeza stoica reservou para si sómente a força de supportar contrariedades e dôres, remindo-se das suas feridas pela propria energia. Mas o que de frieza, impassibilidade e orgulhoso isolamento e desprendimento houvesse n'aquella doutrina, isso dissipou-o, apagou-o no fogo das emoções affectivas, na expansão ingenita de sympathia o de dedicação, nos apetites e doçura de aturado commercio com os homens. Val-de-Lobos consolou-o de muita amargura; collocou-o a salvo do desgosto de muita vilania, a distancia sufficiente para lhe não sentir continuadamente as picaduras irritantes; libertou-o na contemplação e beatitude dos mundos da infinita ingenuidade. Mas não foi sem lhe fazer pagar seu preço, sem lhe impôr enfados da soledade, vaga saudade. Alguma cousa alli lho faltaria que a rigidez estoica não podia supprir. O stoicismo, quando traduzido na existencia concreta, tinha suas tyrannias. A Val-de-Lobos não chegava o tumulto da cidade, o rumor das suas infamias, das suas dissipações e das suas depravadas demencias; mas calava-se tambem, no affastamento dos homens, o murmurio de amizades, aspirações e crenças, que todo o coração amoravel escuta e repete, distinguindo-o no meio de pragas e discordias, alimentando-o e alimentando-se por esse pulsar[{175}] de harmonia que incessantemente funde a sua vida na vida estranha. Sequioso d'esses filtros d'amor, d'esse sustento que fôra a paixão de toda a sua existencia, para dar e receber o qual combatera, estudára e se exaltára em esperanças, em combates, e em fadigas de apostolado e na febre das creações do genio, não lhe supportou sem lamentos a privação, quando os muros da voluntaria clausura em que se encerrára o impediram de o possuir em abundancia, de todo lh'o roubando até durante longas horas. Na Advertencia que precede o primeiro volume dos Opusculos, explicando porque começara a ajuntar os retalhos dispersos do seu passado intellectual, Alexandre Herculano, com a habitual e irreprimivel senceridade de todos os seus passos, não nos occulta como e quando o ermo lhe fôra tambem pesado. Nem só o espectaculo e a vozeria infernal dos odios e atropelos das cobiças da multidão importavam magoas. Outras se encontravam na sua ausencia, ainda que inspirada por uma sagrada repulsão. Eram differentes de caracter mas identicas na essencia: ou um rumor de sympathia nos falte em absoluto e o substitua um frigido silencio, ou o nosso coração sinta e chore a divergencia e opposição entre os seus anceios e os impulsos alheios, em qualquer caso[{176}] deplora a separação dos homens, o apartamento moral ou physico dos nossos irmãos, e suspira pela sua proximidade.

Procurando allivio a semelhantes males, proprios da ternura do seu temperamento e caraterisando-o fundamente n'esse ponto, para lhes moderar os effeitos começou Alexandre Herculano a colligir e ordenar nos ultimos annos da vida os seus escriptos dispersos. «Para o velho que vive na granja, na quinta, no casal, como que perdidos por entre as collinas e serras do nosso anfractuoso paiz, ha na existencia uma condição que todos os annos lhe prostra o animo por alguns mezes, doença moral, mancha negra da vida rustica, facil de evitar nas cidades. É o tedio das longas noites de inverno; das horas estereis em que o peso do silencio e da soledade cai com duplicada força sobre o espirito. Para o velho do ermo, n'esses intervallos da vida exterior, a corrente impetuosa do tempo parece chegar de subito a pégo dormente e espraiar-se pela sua superficie. A leitura raramente o acaricia, porque os livros novos são raros. A decima visão da mesma ideia, vestida do seu decimo trajo, repelle-o, não o distráe. As convicções ardentes, as alegrias das illuminações subitas, as coleras e indignações que inspiram e que, na mocidade e nos[{177}] annos viris, enchem a cella do estudo de turbulencias interiores, de arrebatamentos indomaveis, de debates inaudiveis, de lagrimas não sentidas, de amargo sorrir, cousas são que se desvaneceram. Matou-as o gear do inverno da existencia... para o velho não ha a febre da alma que devora o tempo... É verdade que a natureza compensa o esmorecer e passar do vigor e da actividade intellectual com a propria somnolencia do espirito, voluptuosidade da velhice, ameno e dourado pôr do sol, que se refrange no espectro da sepultura já visinha e o illumina suavemente. Mas o dormitar do entendimento, para ser deleitoso enleio, exige o movimento externo e as singelas occupações e cuidados da vida campestre. Sem isso, e é isso que falta muitas vezes nas interminaveis noites de inverno, a inercia da intelligencia, que vagueia no indefinito sem o norte da realidade, vae-se convertendo pouco a pouco em intoleravel tormento; tormento no qual ha, por fim, o que quer que seja da cellula circular e esmeradamente branqueiada, onde o grande criminoso é entregue, sósinho, á eumenide da propria consciencia. N'esta extremidade, por mais somnolenta e obscurecida que esteja a mente, por mais que ella ame o repouso, o trabalho do espirito, ainda o mais arido, é preferivel, cem[{178}] vezes preferivel, ao fluctuar indeciso no vacuo»[[90]].