Por fim, cedendo aos rogos do marido, respondeu arrastadamente.

—Ai! meu Deus!... Ha uma hora que não durmo. Não posso parar com dores n'um dente, d'este lado... E indicava com a mão.

—Se tu fosses ao dentista pedir o elixir...

—A esta hora?! perguntou Claudio surprehendido.

—Sim... sim... não posso esperar.

N'um instante, Claudio estava na estrada, correndo ladeira abaixo, a caminho da cidade. Ao pé de Laura ficára a creada que se offerecia, suavisando a voz, para aquecer uma pinguinha d'agua, segundo ella dizia. Talvez um chásinho...

Laura nem lhe respondia, conforme os seus habitos de menina mimosa.

Entretanto Claudio batia á porta do dentista que veio á janella, ás escuras, a resmungar com somno. A estas horas!... É preciso ter muito pouco respeito pelo socego d'uma pessoa! Bem tolo é quem os atura.

—Quem é que está ahi? gritou de cima.

—O dr. Claudio...