—Aqui está! exclamou elle risonho de contentamento por vêr satisfeita a vontade de Laura.
Com difficuldade applicou-se o remedio, porque mal se percebia uma sombra de carie no dente, e Laura adormeceu rapidamente n'um somno tranquillo.
Excitado pela inquietação e pelo movimento, o marido ficou passeiando na sala. Só tarde, pelas sete horas, a fadiga o dominou e adormeceu sobre um sofá, para não entrar no quarto e perturbar com os seus passos o somno da mulher.
Ás nove horas despertou, sentindo vozes e passos estranhos. O que seria? Ergueu-se sobresaltado. Laura estaria peor?
A creada velha, logo pela madrugada, mandára dizer á creada de quarto de D. Maria Francisca que prevenisse a sua senhora de que a menina tinha passado muito mal a noite. D. Maria Francisca soubera a noticia quando ás oito horas pediu o primeiro almoço e apressou-se a vir a casa da filha.
Mal penteada e mal vestida, com uns sapatos lassos e a góla do casaco desapertada deixando vêr o collo que as rugas começavam a sulcar, D. Maria Francisca, espavorida, perguntou subitamente ao genro:
—Então que foi, que foi?!...
—Uma dôr de dentes... Felizmente pude applicar-lhe o elixir...
—E agora como está?
—Deixei-a a dormir...