—Como te sentes? murmurou.

Ella entreabriu os olhos e, n'uma contracção de repugnancia e odio, respondeu:

—Ai, meu Deus! Que horror!

E os olhos cerraram-se novamente. Não houve uma palavra para o filho, nem um gesto de ternura, nem o mais leve movimento que não significasse um fastio mortal.

Claudio ficou de pé, immovel, esperando ainda d'aquella massa inerte envolvida em finissimo linho uma vibração que viesse confirmar as suas esperanças de tantos mezes.

Só uma gélida mudez lhe respondia. Saiu do quarto de Laura esmagado de desalento.

Embora! No seu espirito procurava razão para justificar o estado moral de Laura e continuar a esperança que até alli tinha mantido.

Era uma reacção natural do corpo fatigado pela dôr physica, mas, quando a saude voltasse, com ella viriam os affectos de mãe e o ardor de sentimento em que todos os sacrificios são recebidos, na alma ávida de amor, como favores do destino.

Todavia, pensava, que singular perversão a do genero humano! Não acontecia o mesmo com os animaes. N'elles, o instincto materno dominava todas as dores e tanto era o zelo que, nos primeiros tempos immediatamente ao parto, a aproximação das mães era perigosa; havia uma resurreição de instinctos bravios a proteger os recemnascidos.

Porque não seria assim para as mulheres? Que degeneração de sentimento as podia levar a abandonar os filhos logo ao nascer, friamente, sem um grito do coração offendido? Não, não podia ser assim.