—O que é? respondeu a velhinha abrindo os olhos.
—Está aqui o Claudio.
—Ai, meu filho, respondeu ella procurando-o com a mão esquerda, que o braço direito estava completamente paralytico. Estou muito mal... É tempo de dar contas a Deus Nosso Senhor... E foi bom que cá viesses hoje...
Calou-se e fechou novamente os olhos. As palavras tardavam e a voz embaraçava-se.
—Está assim, disse a irmã de Claudio. Falla quando a chamam, diz meia duzia de palavras e depois fica outra vez n'esta somnolencia. Já não se lembra de que foi ella que te mandou chamar.
Por pouco tempo se prolongou esta agonia. Proximo da meia noite, a velhinha moveu-se no leito. Claudio perguntou:
—O que tem? Quer alguma cousa?
—Quero... quero... um caldo, respondeu confusamente.
A filha saiu para ir buscar o caldo e Claudio aproximou-se da mãe, a observal-a. Pareceu-lhe alterada a face; para vêr melhor, desvendou a luz que estava sobre a commoda, occulta por detraz d'um pequeno bahú de coiro, antiga herança da casa em que o pae guardava os titulos das suas propriedades.
—Luiza, Luiza! gritou chamando a irmã.