Uma cousa, porém, preoccupava os amantes. A gravidez de Maria adeantava-se, já na aldeia todos a suspeitavam com ditos e remoques que a rapariga presentia e soffria resignadamente porque era a vontade d'elle, de Claudio. Tarde ou cedo, o pae teria de o saber tambem, mais cedo do que tarde, que o tempo urgia.

Combinou-se que a mãe lh'o annunciaria e assim se fez.

Elle ouviu em silencio, suffocado pela colera, e, nas primeiras palavras que poude articular, disse apenas:

—Tira-me já de casa esse esterco! Se a torno a vêr, esmago-a!

E saiu tremulo, afogueado em ira.

—Claudio, Claudio!... pensava no doido caminhar em que a dôr o levava. Se fosse outro... matava-o! Matava-o, sim! Mas elle, o filho do meu protector...

Vinham-lhe á lembrança todas as esmolas que tinha recebido da casa de Claudio; não ousava revoltar-se.

Sentou-se sobre um muro baixo, ao lado da estrada. Sentia não sei quê a cravar-se-lhe na cabeça, do lado esquerdo.

Os labios humedeciam-se de espuma. Pouco e pouco o corpo inclinou-se para a frente, e caiu, perdidos os sentidos, ferindo o rosto nas pedras agudas do chão.

Trouxeram-n'o para casa em braços, semi-morto, e foram á villa chamar o dr. Carvalho. O velho tinha sido acommettido d'uma congestão cerebral.