O creado veiu sem demora, mas entretanto Claudio adormecia novamente.
—Está aqui o Luiz, está aqui o Luiz, disse Maria tentando despertal-o.
O creado tinha ajoelhado junto da cabeceira da cama e inclinava sobre o doente o craneo calvo, orlado de raros e longos cabellos brancos. Claudio entreabriu os olhos, quiz afagal-o, levantou ligeiramente o braço, e a mão rolou pela cabeça do velho, caindo novamente, quasi inerte, sobre o leito.
Foi o seu ultimo movimento consciente. Depois não se sentiu mais que um estertoroso arfar.
Pela manhã, abriram a janella, cuidando que a frescura do ar alliviaria a agonia. A luz do sol foi bater no leito e cercou o moribundo d'um esplendor de gloria entre o perfume da madresilva e o canto das aves que alegremente cantavam a eterna alleluia dos seus amores. Distante, ouvia o balido do rebanho que o pastor levava a beber no regato. Era uma festa de canticos angelicos.
De repente, a respiração pareceu baixar docemente. Houve no quarto um murmurio de lagrimas e de soluços; instinctivamente todos ajoelharam, e alguem disse:
—Acabou.
Maria levantou-se, inclinou-se sobre o cadaver, cerrou-lhe os olhos e, soluçando, abraçou-o.
Algumas horas depois chegava Jorge.