No alvoroço que em casa de Laura produzira a carta do dr. Carvalho, tinha resolvido D. Maria Francisca, porque o marido estava para a Beira, pedir a Jorge que viesse vêr o amigo.

Ainda se lembrou de aconselhar á filha que fosse a Villalva. Parecia-lhe elegante, de bom effeito no publico, esta reconciliação á hora da morte. Mas a filha revoltou-se.

—Isso nunca!... Não é pelas offensas que elle me fez, é porque a minha dignidade não me permitte entrar ali n'aquella casa e pôr-me a par com uma mulher réles...

—Bem, bem, não te exaltes, filhinha. Eu cuidarei de tudo, rematou D. Maria Francisca.

Foi então que telegraphou a Jorge.

Este veiu immediatamente, por Coimbra, para saber os desejos dos Albuquerques.

Laura desmaiou mal o viu, e a mãe levou-a em braços para o quarto, voltando á sala alguns minutos depois.

—Coitadinha! Muito tem soffrido! Eu nem sei como ella póde...

Mas logo, sem poder conter-se, continuou:

—Eu o que receio é que haja algum testamento e elle tenha passado tudo para as mãos d'essa mulher que lá tem!... O meu querido Jorge verá. Se não houver nada, peço-lhe que tome conta de tudo e, se houver, faça então como entender. Elle está muito mal, segundo o que o dr. Carvalho me diz, até talvez a estas horas tenha morrido... O que lhe peço tambem é que me mande um proprio, a cavallo, para se tratar do enterro logo que elle falleça.