—N'este tempo, o campo é muito bonito, exclamava a mulher do doutor em admiração convencional.

Emilia, intimamente insensivel, sómente por ser agradavel a Claudio, repetia:

—É bonito, é realmente muito bonito.

Sentia-se bem, não pelas impressões da paysagem, mas pelo doce prazer de ouvir Claudio.

Tinham passado a primeira cadeia de montanhas começavam agora a descer rapidamente para Lourosa.

Á esquerda, no extremo horisonte, ficavam as corôas de neve da serra da Estrella, em frente, em toda a sua desdenhosa magestade, erguiam-se as serras da Louzã, as faldas bordadas de aldeias, de pinhaes e de campanarios, os píncaros despidos e negros, respirando, no ceu sereno e mudo, solidão e grandeza.

—Oh! amigo Claudio, disse o dr. Carvalho, parece-me que você se enganou; isto aqui ainda é mais feio que do outro lado.

—Oh! não. Eu acho este panorama magestoso. Magestoso, meu amigo!

—Será, não digo que não. Eu é que não vejo senão muita pedra. O que vale é que você hade tratar-nos bem. Que horas serão?

—Oito.