Parece-nos que não haverá ninguem que não suspeite qual é o fim d'estes fogachos facciosos...

Do direito fazem torto
Estes astutos velhacos;
Chamam gente a um asno morto...
Tal é o poder dos patacos!!!

Uma das duas: ou o snr. Francisco Candido é o unico homem escrupuloso e de convicções profundas, dos que escrevem no Portugal—ou pretende enganar o povo.

Se agarra na primeira ponta do dylemma—deve largar já a redacção do infame Portugal-gazeta, fazendo assim a vontade ao padre Luiz, ao F. da Velha, e ao garoto do pião.... Se{26} agarra na segunda—tambem não podêmos deixar de lhe dizer, que procure um modo de vida mais decente.

Fóra d'ahi, snr. Francisco Candido! Um homem de probidade austéra não póde, nem deve escrever na infame gazeta inaugurada sob a responsabilidade do homem mais despresivel que existia no Porto. Fóra d'ahi! Deixe o logar a esses scelerados que lh'o cobiçam. Fóra d'ahi, que a questão, para elles, é só questão de dinheiro. Fóra d'ahi, se não quer que o publico o tenha na mesma conta em que os tem a elles.

Ignora, snr. Francisco Candido, que ahi se levam moedas pelas correspondencias que, em sua defesa e em defesa do seu partido, mandam lançar os proprios homens, a quem o Portugal-gazeta chama seus correligionarios e amigos!! O snr. Cachapuz que o informe... elle, que aggredido pelo Ecco Popular, como auctoridade realista, teve de dar bons pintos pela defesa que fez inserir na gazeta dos farcistas.—«Um pataco por linha e nada menos.»

Não acontecia assim com a PATRIA, que nunca levou nem um real por semelhantes correspondencias—porque o redactor da PATRIA[[20]]{27} não sabia ser gazeteiro, e o snr. Francisco Candido bem conhece aquelles que o roubaram, abusando do seu demasiado cavalheirismo e boa fé.

Veja se gosta d'esta comparação, snr. Francisco Candido, e saiba (se o ignora) o que é uma gazeta na mão d'um negociante.

Agora, ouça mais duas palavras, e ouça-as tambem o povo, para ficar completamente desenganado ácerca do Portugal-gazeta.

Ha cousa d'um anno, appareceram no Ecco Popular uns artigos infames (cuja publicação foi provocada por uma polemica do infame Portugal-gazeta) nos quaes se davam ao Tio da Rainha os nomes mais injuriosos, e entre estes, o de assassino!!—O editor do Ecco póde dar testemunho dos esforços, que eu fiz, invocando a sua generosidade, para que retirasse da discussão o augusto nome do infeliz exilado; mas, apesar d'estes esforços, lá appareceram no infame Portugal-gazeta umas allusões torpes, involvendo a perfida insinuação de que era eu o auctor de semelhantes artigos!—Um dia, ao cahir da noite, encontrei, na rua dos Lavadouros, o snr. Francisco{28} Candido de Mendoça e Mello, e perguntei-lhe se já estava desenganado de que não eram meus os artigos. Respondeu-me «que entre mim e elle (snr. Mendoça) não havia motivo algum d'inimisade; que até algumas vezes havia dito que eu tinha razão de me queixar do que acontecera com a PATRIA; e que elle (snr. Mendoça), avisado do que se passára commigo, era redactor independente do «Portugal» e não recebia ordens de ninguem, nem mesmo quanto á politica do jornal; que já se sabia que não eram meus os artigos em que o Snr. D. Miguel era tão atrozmente calumniado; que as allusões, de que eu me queixava, tinham nascido d'uma errada persuasão, e não de odio ou vindicta.»—Fiquei quasi satisfeito com a declaração do snr. Mendoça; e para o ficar completamente, disse-lhe que era justo rectificar a perfida insinuação que se fizera. Assim o julgou o snr. Mendoça, e assim m'o prometteu; mas, até hoje, estou á espera do cumprimento da sua promessa!—Quereria o snr. Mendoça cumpril-a, e serviriam d'obstaculo os negociantes de politica, que já não é a primeira vez que negoceiam com o meu credito, com o meu suor e com o meu sangue?... Fóra d'ahi, snr. Mendoça! Um homem de probidade austera, não póde conservar essa posição.—Olhe que não escrevo isto para augmentar os seus embaraços. Sei que ha promessas solemnes{29} de lhe apalpar as costas, e se os meus pedidos valessem, eu pediria que ninguem fizesse caso da sua despedida da Assemblea, das suas cartas, e do mais que se tem passado.