(9) Depois de ficar hum pouco pensativo, diz resoluto.
(10) Em acção de partir, e D. Sancho retendo-o.

Sanc. Oh Ceos! Não faças tal, melhor discorre; Para lhe revelar hum tal segredo Occasião mais opportuna espera: A cólera azedar não vás de Affonso; No transporte cruel das suas iras, Bem sabes que he capaz...

Ped. ................... De que? De nada: Mais de mim, do que eu delle, tremer deve... Se ousasse contra Ignez... Ah! nem pensa-lo. Para vingar o seu menor insulto Seria pouco todo o sangue humano.

Ign. Bem me dizia o coração presago... Meu mal he sem remedio; o proprio Esposo He quem vai despenhar-me no sepulchro. Meus crueis inimigos não me assustão: O popular tumulto, hum Rei severo Nada temo, ai de mim! a ti só temo. Ah! Lembra-te, Senhor, do que juraste Antes de conduzir-me ás sacras Aras, Onde eu te não seguira, se primeiro Tu me não prometesses guardar sempre O devido respeito ao teu Monarcha, E a paz não perturbar dos seus Dominios: Tu não has de faltar, o tempo he este, Que eu já prevía então: oh caro Esposo! Lança do coração fataes transportes; Não percas tempo, vai, corre a prostrar-te Aos pés do grande Affonso; mas submisso, Ao beijar de teu Pai a mão augusta, Sobre ella de teus olhos chova o pranto. Pondera que te perdes, que me perdes, Se com elle furioso praticares; Só nos pode salvar docil brandura: Se não queres matar-me, sê submisso.

Ped. O temor de affligir-te pode tudo. Respeitoso serei, terei brandura, Se elle brandura igual usar comigo. Nada temas, Princeza: Adeos. Eu juro Pelos Ceos outra vez, e por ti mesma, Que inda que o Mundo inteiro se me opponha, Castro ha de ser de Portugal Rainha.(11)

(11) Parte.

Ign. Não te apartes, D. Sancho, do seu lado: Moderem teus conselhos seus transportes.

Sanc. Dai forças, justos Ceos, ás minhas vozes, Lançai a Portugal piedosas vistas.

Scena V.

Ignez só.