Nun. Ah! não, Senhor, teu Pai lhe perdoava, Mas Coelho, e Pacheco os ímpios forão, Que...
Ped. Basta: nada mais.(68) Impios são todos, E eu de todos o sangue beber quero. Treme, barbaro Rei; cruenta guerra Eu protesto fazer-te: sim, eu juro Pelo sangue de Ignez, cujos vestigios Bradando por vingança alli diviso, Juro, cruel, do Throno derrubar-te, E em teu lugar, c'roada alçar a elle A Esposa que me roubas. A meu lado, Mesmo depois de morta, a bella Castro Será Rainha, reinará comigo: Que importa que o seu corpo não respire, Se a sua alma inda existe unida á minha! Hão de todos beijar-lhe a mão já fria, Tributar-lhe as devidas homenagens: Do seu throno degráos por mim calcados Os tyrannos serão que a assassinárão: Seus corações malvados, das entranhas Eu mesmo hei de arrancar, hei de trincar-lhos. Ás minhas iras escapar não podem: Inda que nos infernos vão sumir-se, Lá mesmo, ardendo em raiva irei busca-los. Será tal meu furor, minha vingança, Que o Mundo tremerá de ouvir meu nome: Por toda a parte se hão de ouvir sómente Pranto, desolação, e horrores... tantos Os estragos serão, as mortes tantas, Que ha de em sangue nadar Portugal todo: Sangue o Douro, o Mondego, e sangue o Téjo Hão de, em vez d'agua, despejar aos mares; E os proprios mares arrojar bramindo Ondas de sangue ás mais longinquas praias. Eu vou já começar a derrama-lo. Oh furias! Oh vingança! Acompanhai-me, Meus passos dirigi; guiai meu braço.(69)
(68) Na mesma furiosa desesperação.
(69) Parte furioso arrebatadamente da Scena.
Emb. Ah Principe, suspende! Mas quem póde Conter as furias, que lhe lutão n'alma!(70)
(70) Segue a D. Pedro.
Nun. Que espantoso tropel de horriveis males!.. Oh de cégas paixões funesto exemplo!.. Misero Esposo!.. Malfadada Castro!.. De quanta compaixão são dignos ambos!.. Muito se amavão, desgraçados forão, Chore-os o Mundo, e de imita-los trema.(71)
(71) Finda a Tragedia quando não ha coroação.
Scena X.[NT1]
D. Nuno, e D. Sancho.(72)
(72) Impaciente.