180 Neiva. Este rio sahe das montanhas de Avoim, e vem fertilizando os campos da Ponte da Barca, e Ponte de Lima; e depois de se sujeitar a quatro pontes, entra no mar Oceano pela foz, que naõ dista muito de Viana. Duarte Nunes diz,[246] que este rio se mete no Cávado, para ambos entrarem no mar entre Faõ, e Esposende; porém outros[247] emendaõ esta equivocaçaõ com a noticia mais certa, que temos expendido; porque as duas povoações de Faõ, e Esposende ficaõ para a parte do Norte muito mais adiante, donde o rio desemboca.

181 Niza. Cerca por hum lado a Villa de seu nome, e nasce na serra de Portalegre.

182 Noeime. Nasce junto da Guarda com dous braços: hum delles na fonte Dorna, que corre ao Poente, vira para o Norte, e depois continúa ao Nascente; o outro principia no Lugar de Porcas pela parte do Sul, e se mete no rio Coa por baixo da Miuzella: he a informaçaõ, que nos dá Joaõ Salgado de Araujo pag. 108.

183 Obidos. No termo desta Villa está a celebre lagoa, que tem de Norte a Sul huma legua de comprido, de Nascente a Poente tres quartos de legua, desorte que faz a fórma de numa Cruz com os braços de mar que humas vezes se lhe communica, e outras naõ. Serve de pé a esta Cruz a barra a que chamaõ Foz, a qual com os ventos Nortes se entupe tanto de area, que divide o mar da mesma lagoa. Nella entraõ tres rios, dous pelo Sul, e hum pelo Nascente: os dous saõ os que passaõ pelo arrabalde de Obidos, e pelo lugar da Amoreira, onde chamaõ Aboboriz: o terceiro vem das Caldas.

184 Quando esta lagoa está communicavel com o mar, he fertil de toda a qualidade de peixe; pescando-se nella muitas douradas, robalos, solhos, tainhas, safios; e até excellente marisco, de ostras, amejoas, berbigões, e admiraveis camarões; de cuja fertilidade se utilisaõ as duas Villas de Obidos, e Caldas, e mais terras circumvisinhas; tomando todos o deleitavel divertimento de fazerem alli repetidos lanços; e juntando-se às vezes na lagoa mais de vinte bateiras para esse effeito.

185 No sitio a que chamaõ da Cabana, memoravel naõ só pela Ermida da Senhora do Bom Successo, de muita devoçaõ; mas pelo ameno, e delicioso do lugar povoado de grande arvoredo, o Senhor Rey D. Joaõ IV. teve o gosto de jantar alli, como consta de hum padraõ aberto em lamina de pedra, que diz: O Serenissimo, e feliz Restaurador deste Reino ElRey D. Joaõ IV. jantou nesta Cabana: a 14 de Setembro de 1645 foy feita. Em outro padraõ está outro letreiro, que diz assim: O Magnanimo Monarca D. Joaõ V., e os Serenissimos Infantes D. Antonio, e D. Manoel jantaraõ nesta Cabana aos 14 de Abril de 1714.

186 Acha-se no meyo deste bosque huma mesa de pedra lavrada, simplesmente inteiriça, que tem duas varas e meya de comprido, e vara meya de largo: por ambos os lados ha dous bancos tambem de pedra do mesmo comprimento, e nas cabeceiras outros dous. Defronte da mesa corre huma fonte de cinco bicas de agua perenne, que faz o lugar mais aprazivel. Aqui se divertiraõ na caça dos galeirões, e ades em Outubro de 1761 o Fidelissimo D. Joseph I. com a Rainha Nossa Senhora, o Serenissimo Infante D. Pedro, a Serenissima Princeza, e mais Pessoas Reaes com a mayor parte da Corte.

187 Ocreza. He huma ribeira, que corre junto da Villa de Sarzedas.

188 Odemira. Banha Villa nova de Mil fontes no Algarve, e a pouco espaço se mete no mar.

189 Odiége. Fórma-se de duas ribeiras nas Freguezias de S. Brissos, termo de Montemór o novo, e de S. Sebastiaõ da Gesteira, termo de Evora. Tem ponte, e passada ella, se vê no alto de hum oiteiro da parte do Sul a milagrosa fonte da Senhora da Esperança das Alcaçovas, de que fallaõ o Santuario Mariano tom. 6. pag. 320. e o Diccionario Geografico de Cardoso tom. 1. pag. 143.